Descodificando CR7... (1/4)

Muito se fala neste início de época futebolística sobre a sua maior estrela: o português Cristiano Ronaldo.
Comenta-se a sua forma física, as suas atitudes, a sua capacidade de criar desequilíbrios, a sua força mental. Fala-se quando marca 5 num jogo e quando não marca, quando acerta e quando falha.

Há vários anos um estudo aprofundado sobre CR e suas capacidades foi feito em condições quasi laboratoriais e acredito que há ainda mais conclusões a retirar desse trabalho, as quais podem elucidar sobre a performance do mais premiado jogador luso de sempre.

O teste foi divido em quatro partes:
Força Corporal,
Capacidade Mental,
Técnica,
Habilidade, e eu irei analisar individualmente cada uma delas, procurando descodificar os elementos de treino mental e alta performance motivacional presentes.

Força Corporal (ver video aqui):
Neste capítulo do teste, Ronaldo competiu com o reconhecido sprinter Angel Rodriguez em dois testes de velocidade, um sprint de 25 metros e um zig-zag de 25 metros.
No sprint, CR ficou atrás por 3 centésimos de segundo e no zig-zag ficou à frente por quase meio segundo.
Ao estudarmos a forma de corrida e de enfrentar ambas as provas, nota-se uma técnica muito diferente entre os dois atletas, que foi forjada não só pelo muito maior nível de treino e prática consistente de cada um dos tipos, como também pela forma como o cérebro condicionou o desenvolvimento muscular de ambos ao longo do tempo.
Ao ser examinado muscularmente, vê-se que CR tem um corpo magro de um meio-fundista, as pernas longas de um sprinter e as coxas largas de um saltador. Tudo características treinadas e moldadas por anos de preparação física e pelo condicionamento mental de querer, desde criança, tornar-se o melhor do mundo. 

Quando fixamos uma ideia na nossa mente por tempo suficiente e mostramos através de ação consistente e persistente que queremos mesmo atingir essa meta a todo o custo, o nosso cérebro ajuda a moldar todas as nossas ferramentas de forma a estarmos cada vez mais próximos de o atingir. 

A isto aliam-se programas alimentares bem definidos, descanso adequado e os melhores treinadores do mundo.
Tudo isto ajuda a que Cristiano corra à velocidade de um sprinter, salte mais alto que o atleta médio na NBA e tenha menos massa gorda que uma supermodelo. 

O Cristiano é o claro exemplo (entre muitos outros) que confirma os reconhecidos estudos de Geoff Colvin e K. Anders Ericsson, que afirmam que o talento nato (se é que existe) é de somenos importância quando comparado com a prática deliberada, isto é, quando comparado com uma forma focada e deliberada de dirigir o nosso esforço e a nossa aprendizagem para a constante melhoria dos resultados. 

Falaremos mais deste tópico e como podemos utilizá-lo no dia-a-dia ...nos próximos artigos.

Quanto custa a desmotivação?

Num recente estudo da Kelly, 61% dos inquiridos (num universo de 13.000 entrevistados portugueses) afirmava a sua vontade quase diária de se despedir do emprego.

Este indicador era o resultado lógico de apenas 21% que se sentiam valorizados pelo seu empregador e 81% que expressaram o seu fraco compromisso com a função que desempenhavam.

Podíamos analisar estes números na ótica do empregador e estudar os impactos negativos na produtividade, a enorme propensão para o absentismo e o (lógico) fraco desempenho comercial e em costumer service.

Mas desta vez vou olhar para o lado do colaborador.

Que impactos pessoais sofre alguém que está num estado (quase) permanente de desmotivação e falta de compromisso com a empresa e suas funções?

Enquanto coach e trainer, tenho encontrado algumas pessoas que se encontram neste estado nas organizações…

Algumas, é notório que simplesmente desistiram. Desistiram delas próprias, da empresa, dos objetivos, de serem ou quererem mais. E por isso passam os dias a (literalmente) arrastar-se pelos corredores, fazendo o possível para que o dia chegue ao final, para que venha sexta-feira, para que comecem as férias…

Outras, mais revolta as, operam na empresa, como o “espertalhão” vai ao buffet.

E como é que é isso? O "espertalhão", depois de pagar os 7.95€ no buffet, o que é que pensa? “Eu cá não fico a perder. E vou-lhes dar prejuízo! Vou comer praí 15 euros, que eles não se ficam a rir de mim…” Ora na empresa, esta filosofia manifesta-se na mentalidade de “Pagam-me 500?! Então vou trabalhar só 100 que eles não se ficam a rir de mim…”

Mais que os óbvios prejuízos que qualquer uma destas formas de atuar tem na organização, o impacto nas nossas competências, na falta de confiança que passamos ao outro, no nosso percurso profissional, é muito pior. 

Quando agimos desta forma, estamos menos focados, pelo que cometemos mais erros. Não aprendemos com estes e por isso não melhoramos. Como não existe melhoria, temos menos capacidade e vontade de crescer e por isso desleixamo-nos e permanecemos menos focados… É fácil ver o ciclo vicioso.

Tudo isto, com o “bónus” de, quanto mais pessoas agirem desta forma, mais rápido a empresa tem maus resultados, e quando ficarmos sem emprego estamos completamente impreparados para lidar com as novas regras do mercado.

Não obstante, o impacto emocional interno é ainda mais grave:

Operar desta forma é um grave desrespeito próprio, pois liga-nos a energias nada atraentes como o desprezo, a estagnação e o conformismo. Dos milhares de pessoas com quem já contactei, nunca encontrei uma única que me contasse uma vida profissional sem desafios, sem aprendizagens, sem sucessos, sem partilha, sem propósito e me dissesse que era feliz e realizado.

Todos nós temos uma luz intensa, um brilho único que existe para fazer isto mesmo: brilhar… E estás sempre a tempo de o fazer

Liga-te ao que é mais importante para ti, compromete-te a ser a melhor versão de ti própri@. Vais viver, sentir e fazer melhor, isso é garantido.