Da definição de objetivos à sua concretização: o Método SYM

Porque é que algumas pessoas parecem ter facilidade em atingir objetivos enquanto que outras raramente passam das intenções aos resultados?

Esta foi uma pergunta que sempre me criou enorme curiosidade e que me “animou o espirito” nos últimos 8 anos. Esse estudo resultou no Método SYM. Um inovador método de definição e concretização de objetivos, que contêm ferramentas de Coaching Alta Performance, PNL e Condicionamento Neuro Associativo. Este método foi "afinado" ao longo da última década no contacto com mais de 40.000 pessoas em inúmeras organizações.

Obviamente, já existem vários métodos de definição de objetivos, sendo que a grande diferença do SYM para os demais é que responde de uma forma mais eficaz aos três grandes motivos pelo qual o ser humano não cumpre as suas resoluções:

1.      Não as define concretamente.

2.      Não tem uma razão suficientemente forte para as concretizar

3.      Não dá os passos necessários para chegar ao resultado

Então, em que consiste o Método SYM?

Em três passos desenhados para superarmos estas dificuldades.

 

1. SMART

Ao fim de 60 anos desde a sua “invenção”, o SMART continua a ser o melhor método de definir concretamente um objetivo. Um objetivo, a fim de facilitar a sua concretização, deve ser SMART, isto é eSpecifício, Mensurável, Acionável, Realista e Temporal.

eSpecífico: os objetivos devem ser tão específicos quanto possível, evitando na sua formulação ambiguidades e abstrações. É diferente ter como objetivo “ir de férias” de “ir de férias para o país A, para um hotel desta categoria, em regime de meia-pensão.” Se não for específico, não é um objetivo, é um desejo.

Mensurável: a formulação de um objetivo deve proporcionar a medição do seu progresso de forma clara e objetiva. Um objetivo mensurável permite a cada momento saber o caminho que já foi trilhado e o que falta percorrer para chegar à meta definida. Como diz Peter Drucker: “O que não se pode medir, não se pode gerir”.

Acionável: qualquer objetivo definido tem de depender da ação própria. Se depender da ação de terceiros, são objetivos desses terceiros, ou quando muito são objetivos de conjunto. Um chefe de vendas não pode ter como objetivo que a sua equipa suba as vendas em 10%. Antes o seu objetivo tem que se centrar nas ações que ele vai fazer que potenciem a equipa para atingir esse objetivo de conjunto. Se não for acionável pelo próprio, não é um verdadeiro objetivo, é uma fantasia.

Realista: E realista para a única pessoa que interessa: o próprio. A própria pessoa tem que definir um objetivo que ela própria acredite ser possível de atingir. Não interessa se os outros acham ou não o objetivo atingível. Ninguém acredita que o corpo humano é capaz de conseguir certos feitos, mas o mundo do desporto é feito da quebra dessas barreiras: 100 m em menos de 10 s, a milha em menos de 4 minutos. Tempos houve em que se julgava estes marcos humanamente impossíveis de bater. Mas eles foram batidos porque alguém acreditou que era possível (e por isso trabalhou incansavelmente para os atingir). Acreditar não é tudo, mas sem isso não há mais nada. Um objetivo em que o próprio não acredita é uma parvoíce.

Temporal: O ser humano é tipicamente procrastinador e por isso um objetivo deve ter uma baliza temporal para a sua concretização. Se o objetivo não tiver uma data fixada para a sua concretização, as ações necessárias para chegar até ele serão (quase) sempre adiadas. Se não há prazo, não há pressão e tendemos a relaxar. Sem esse limite temporal, não é um objetivo, é um sonho.

 

2. (wh)Y?

Definidos os objetivos, há que perceber que para os pormos em prática teremos de ter uma boa razão, uma motivação forte, um motivo suficientemente importante para cumprir aquela meta que ajude a superar as inevitáveis dificuldades do caminho. É que tudo tem um determinado custo, seja ele físico, emocional, financeiro, ou de outro tipo. Há sempre um preço a pagar pelas coisas que queremos. E os recursos há nossa disposição são finitos. Mais horas numa determinada tarefa, querem dizer menos tempo para a família. Mais dinheiro gasto num determinado projeto, quer dizer menos dinheiro para outros. Quereremos nós pagar este preço que o nosso objetivo custa? Mesmo?

Neste processo, importa compreender o processo pelo qual tomamos decisões no nosso dia-a-dia. Como se de uma balança de pesos-padrão se tratasse, estamos permanentemente a pesar, de um lado, o que ganhamos se fizermos (ou continuarmos a fazer) algo e o que perdermos se não fizermos e, do outro, o que ganhamos em não fazer (ou em parar de fazer) esse algo e o que perdermos se o fizermos. Do resultado desta pesagem tomamos a nossa decisão de ação.

Então queremos que as razões que nos movem para o nosso objetivo, o porquê, o tal (wh)Y, sejam sempre mais pesadas que o lado da balança que nos move noutra direção. Noutras palavras, temos que querer pagar o custo associado ao objetivo que definimos. E convém saber este custo à partida para confirmar a nossa real vontade, ou seja para sabermos se, confrontados com esse custo no nosso caminho, não vamos abandonar o objetivo.

Se quisermos mesmo algo, temos que querer o custo associado. Se não estivermos disponíveis para pagar o preço, provavelmente esse objetivo nunca se irá realizar.

 

3. Motion

Com um objetivo SMART, com os (wh)Ys bem definidos, só falta uma coisa para atingirmos os nossos objetivos: movimento em direção a eles.

Algo frequentemente esquecido é que todas as caminhadas, por muito longas que sejam, começam com um primeiro passo. E depois desse, outros muitos. Uma maratona é feita de 42.195 metros que fazemos em diferentes ritmos, mas nunca todos de uma vez. A consciência de que os nossos objetivos não vão ser concretizados de uma vez só é determinante para o planeamento das ações necessárias para a sua prossecução.

Com isto em mente, é necessário traçar um plano de ação que colmate estas fragilidades. Uma boa forma de o conseguir é com um PAI, um plano de ação invertido.

Esta é uma ferramenta de coaching muito utilizada para a determinação das estratégias que permitem atingir os objetivos definidos. O seu funcionamento tem tanto de simples como de poderoso, pois permite estruturar caminhos e estratégias e dividir aquela grande meta em pequenos (e muito mais rápidos e atingíveis) marcos que levam à grande meta.

Para implementar esta ferramenta, vamos começa-se pelo fim, pelo tempo que definimos como limite para a concretização do objetivo. Depois, através de perguntas muito simples, regride-se no tempo para perceber quais as ações intermédias que permitem atingir o grande objetivo. É mais fácil perceber esta técnica na prática com a utilização de um exemplo.

 

Imagine-se um objetivo como “Conseguir um trabalho como Marketeer nos próximos 6 meses

Com o Plano de Ação Invertido, começamos pelo final:

Objetivo: Daqui a 6 meses quero ter um trabalho como Marketeer.

Pergunta: O que tem de acontecer daqui a 4 meses para que daqui a 6 meses conseguir o meu objetivo?

Resposta: Quero já estar envolvido e numa fase avançada de pelo menos 4 processos de recrutamento para que nos dois meses que faltam possa ter pelo menos uma resposta positiva.

Agora regredimos no tempo para os 4 meses. E definimos qual o objetivo que queremos daqui a 4 meses que possibilite a nossa grande meta.

Objetivo: Daqui a 4 meses quero estar numa fase avançada de pelo menos 4 processos de recrutamento.

Pergunta: O que tem de acontecer daqui a 2 meses para que daqui a 4 consiga este objetivo?

Resposta: Quero ter conseguido entrar em contacto direto com responsáveis de contratação de pelo menos 20 empresas.

E assim sucessivamente até chegarmos ao dia de amanhã.

Criar um plano desta forma assegura que percebemos qual o próximo passo e que ele é suficientemente pequeno para que eu o consiga dar e suficientemente importante para eu valorizar dá-lo.

Um objetivo sem um plano é… nada!

 

Feliz ou infelizmente não existe nenhuma fórmula secreta que garanta, com 100% de certeza, atingir os objetivos definidos. O que é possível perceber quando estudamos pessoas de sucesso é que quando se utiliza um conjunto de práticas na definição e prossecução de metas as nossas probabilidades de conseguir as conseguirmos atingir aumentam.

A magia não existe. O que existe é ilusionismo. Um conjunto de técnicas e ferramentas, que quando aprendidas, praticadas e aperfeiçoadas produzem resultados… mágicos.