"Só faz falta quem cá está?"

A discussão sobre a insubstituibilidade dos colaboradores numa empresa é algo que ocupa muitos gestores há muito tempo.

Esta discussão tem dois prismas muito interessantes que iremos abordar em simultâneo, com dicas práticas para os gestores diminuírem o risco de perdas com a saída ou ausência de colaboradores, e com ferramentas para os funcionários garantirem que são sempre altamente considerados dentro das estruturas.

No caso da gestão, existem de facto momentos em que determinadas pessoas obtêm tamanha preponderância dentro da organização que a sua saída implica baixas de produtividade, possíveis negócios adiados ou perdidos e projetos estagnados.

Como minorar ou extinguir estas possibilidades de um negócio enquanto se continua a confiar e a responsabilizar os quadros da empresa é a questão que se põe.

Da minha observação, em dezenas de empresas, existem algumas práticas que dão bons resultados. Destaco aqui duas:

1- Criar uma linha de “sucessão” clara, assumida e treinada.

Em funções de liderança e em posições-chave na organização é importante saber quem ocupará determinada função se a pessoa que lá está for promovida, sair, ou se ausentar por muito tempo. Quando bem aplicada, esta medida permite criar ótimos programas de mentoring, reforçar a cultura organizacional, treinar continuamente bons recursos, dar melhores perspetivas de carreira e aumentar o fluxo de informação. Em processos bem geridos, esta medida tem gigantescos ganhos de produtividade e motivação.

2- Equipas multidisciplinares e reuniões de partilha

A criação de equipas multidisciplinares promove o “pensamento lateral” aumentando a criatividade e aumenta o fluxo de informação, assegurando que o conhecimento não repousa só em uma pessoa. As reuniões de partilha são ótimas formas de melhorar essa comunicação com pessoas externas à equipa, criando maior compromisso e envolvimento da organização.

No caso dos colaboradores, o propósito é que se tornem peças de tamanha relevância na empresa que sejam pensados para promoções e reconhecimento, ou, no caso de ciclo negativo, que a sua saída seja ponderada em último caso.

No treino, acompanhamento e coaching de carreira, algumas práticas de sucesso saltam imediatamente à vista:

1- Value Mindset

Os colaboradores mais apreciados tem na sua maioria a atitude de criação de valor, pensando e agindo na organização com o firme propósito de a sua atuação aumentar a produtividade, gerar lucro e melhorar o resultado final.

2- Melhoria continua

Já não existem profissões onde alguém se possa dar ao luxo de parar de aprender. Cada vez o mundo muda mais rapidamente e o que se espera das organizações e seus colaboradores é que acompanhem ou sejam os catalisadores dessas mudanças. Os profissionais mais valiosos serão, neste mercado, aqueles que mais conseguem perceber a tendência, estar em cima do acontecimento, sintetizar e selecionar a informação importante e agir em conformidade com ela.

Naturalmente não há formulas mágicas, sendo que estou certo que a aplicação consistente destas ferramentas irá resultar numa empresa mais saudável e bem preparada e fomentar o crescimento do número de colaboradores de excelência.