Descodificando CR7... (4/4)

IV Parte: a habilidade*

Neste quarto e último ponto de análise, os investigadores pretendem estudar a habilidade do “astro” português.
O teste é levar a bola num percurso de 25 metros, onde atiradores furtivos, armados com armas laser, a tentarão atingir. O numero de atiradores aumenta conforme Ronaldo avança no campo e ele terá de utilizar toda a sua habilidade de drible e finta para impedir ser “atingido”.
Ele consegue fazer todo o percurso tendo sido a bola atingida apenas uma vez. Este resultado extraordinário é o reflexo da combinação de uma série de técnicas de controlo de bola, toques, fintas, pequenos passos e simulações que lhe permitem escapar aos tiros “inimigos”. 
 
A psicóloga desportiva Zoe Wimshurst refere como essencial para o sucesso a autoconfiança e o permanente pensamento positivo. O “firme acreditar” que vai ter sucesso e o facto da possibilidade de perder a bola “nem sequer entrar na mente” são condições críticas para a concretização deste resultado. O que o estudo do cérebro nos tem mostrado é que este tipo de pensamento não funciona como “wishful thinking” (otimismo) e sim como um condicionante do tipo de caminhos neurológicos a que estamos a aceder enquanto realizamos uma determinada tarefa. Ao acreditar que vai conseguir, Ronaldo coloca o seu sistema em modo de alerta, tornando-o mais capaz de encontrar respostas e soluções para os desafios que enfrenta.
 
Claro que a prática deliberada que CR7 desenvolve desde há muito na sua carreira é fundamental para que, mesmo numa situação nova, ele consiga este tipo de resultados. Com este conhecimento experiencial já trilhado dentro do cérebro em inúmeras situações, a busca de soluções torna-se ainda mais rápida e assertiva. É este o mecanismo que permite que ele faça fintas e dribles a uma velocidade estonteante sem que, para todas, tenha de pensar no processo em como elas se realizam.
 
Este teste reforça a ideia transmitida pelos anteriores de que a enorme mais valia de Cristiano não está nas pernas, nem lhe foi atribuída à nascença. O talento de Ronaldo é o produto de um rigor mental, uma disciplina de treino e uma capacidade de adaptação fantástica que ele escolhe aplicar ao futebol por ser apaixonado por este desporto. Estas são ótimas noticias, pois todos nós temos estas capacidades e podemos direcioná-las para nos tornarmos excecionais naquilo que amarmos fazer!

*Veja o 4º filme aqui